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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A luta contra a barreira no ensino de Filosofia no Ensino Médio


É paradoxal o discurso de inibição do ensino de Filosofia no Ensino Médio. Sócrates morreu inocentemente após acusado de manipular a juventude de sua época. A Filosofia ainda continua incomodando. Numa analogia à música infantil: “Um estudante de Filosofia incomoda muita gente, dois estudantes incomodam muito mais; três estudantes incomodam muita gente, quatro incomodam, incomodam...”.
No século XVIII através do Iluminismo ocorreu um movimento intelectual contra o poder da Igreja, do obscurantismo e estupidez para um novo mundo esclarecido pela luz da razão. Agora o mundo está na era do conhecimento, há acesso através de celulares e computadores à rede internet, livros, artigos etc. É ideológico o discurso contra o ensino de Filosofia e a busca constante pelo conhecimento. A essência do discurso é a mesma dos que a retiraram da grade. Temia-se a reflexão crítica, questionamentos, achavam a disciplina perigosa (ameaçadora), além da opção pelo modelo capitalista e a industrialização que envolvia muitas áreas, inclusive a da educação. A Filosofia não era rentável e importante para o modelo proposto. A educação tecnicista era o importante.
Para romper esta barreira ideológica é preciso a união de pessoas conscientes envolvidas com a causa, contra o poder de manipulação política, midiática, religiosa, militar, econômica, dogmática, que reapareceu neste país e criou um efeito mimético de que a esquerda é a única responsável por todos os problemas do cotidiano. Há interesse de grupos fundamentalistas em continuar existindo no Brasil uma população desinformada, de fácil manipulação, sem consciência do seu verdadeiro papel para que continue a exploração, a corrupção e a defesa dos seus interesses.
Para criar o apetite no aluno é preciso metodologias voltadas para esclarecer o verdadeiro motivo do ensino de Filosofia e seus ganhos, gerando um efeito mimético favorável à proposta da continuidade do ensino da disciplina. Isso já tem de começar na formação dos docentes, pois são pensadores importantes neste processo, e não devem fazer parte da servidão voluntária que o Estado e grupos tentam impor. São conceitos a serem repassados ao aluno para torná-lo livre no pensar e na promoção do diálogo.
Uma metodologia importante a ser utilizada é a educação libertadora de Paulo Freire de forma que o professor seja um mediador, saiba trabalhar a cognição identificando o nível de alfabetização e letramento do aluno para que também trabalhe a hermenêutica, etimologia, senso crítico, moral, ética, conhecimentos científico, teológico, filosófico etc., com interação com as demais disciplinas, sendo assim, o sujeito de seu discurso, indo contra a degradação da experiência na modernidade e a nova barbárie formadora de indivíduos isolados e solitários, longe da alteridade, conforme afirma o filósofo Walter Benjamim. Portanto, a juventude precisa liberar a sua energia pulsional em busca do conhecimento, o grande lema da Filosofia.




NOTA


Tema apresentado no Fórum de Metodologia de Ensino do curso de Filosofia da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) em maio de 2018.



quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A luta contra o preconceito e a servidão voluntária

Conforme escreveu o escritor sergipano, Cezar Brito: “Não nasci nordestino por obra do acaso. Escolheram-me porque saberiam previamente do gosto do meu gostar. E acertaram em cheio!”. Tenho orgulho de minha gente. A pobreza da alma e a ignorância alimentam o preconceito. A falta de conhecimento, humildade, humanidade e respeito ao próximo cria um tipo de visão retrógrada, distorcida da realidade, onde pessoas, de forma ideológica, se acham detentoras de todo o conhecimento ― têm as respostas das questões metafísicas... ―, ofendem um povo, uma cultura, uma região em nome de sua “verdade”, não dando a outrem o direito de livre escolha conforme prevê o estado democrático de direito.

As leis são fortes aliadas contra o preconceito que se entrincheira em nossa mente, como se fosse um vírus oculto, insensível à vacina da consciência. Mesmo quando os gestos e as palavras revelam os sinais da grave doença, seu portador não se percebe doente. Ao não perceber a doença que contamina até sua alma, ele a repassa para as outras pessoas, tranquilamente, sem qualquer remorso pela sensação de cometimento de um crime. (Cezar Britto).

Segundo o dicionário Caldas Aulete o preconceito é a opinião ou ideia preconcebida sobre algo ou alguém, sem conhecimento ou reflexão; prejulgamento. Uma atitude genérica de discriminação ou rejeição de pessoas, grupos, ideias etc., em relação a sexo, raça, nacionalidade, religião etc. Intolerância. Isso fica claro nos ataques contra os nordestinos nas últimas eleições presidenciais. Segundo a escritora e poetisa americana, Maya Angelou “O preconceito é um fardo que confunde o passado, ameaça o futuro e torna o presente inacessível”.
É justamente contra esta imposição (opressão), falta de respeito aos direitos humanos, constitucionais e contra a servidão voluntária que há a luta, a resistência dos excluídos, das minorias, dos mais pobres, para uma sociedade mais igualitária. Esta desigualdade econômica, o preconceito racial, religioso, regional, das questões de gênero, da pobreza... só aumentam a fome, a desnutrição, a mortalidade infantil, a violência, a criminalidade, e por aí vai. Por isso há a luta diária contra o preconceito, de forma ampla, geral e irrestrita.
Esta é uma reação contra um projeto patrocinado em favorecimento dos mais ricos e a perda de direitos dos mais pobres, excluídos e da classe trabalhadora. Contra uma divisão injusta. Isso fica claro quando o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Agência BBC News informam que, a riqueza acumulada pelo 1% mais ricos da população mundial equivale à riqueza dos 99% restantes. É uma diferença desumana que reflete na saúde, alimentação, moradia, transporte, segurança, educação etc.
A desigualdade no Brasil, desde os primórdios, é em função da exploração dos poderosos e seus seguidores. A escravidão que durou cerca de 300 anos é um exemplo de desumanidade. Quase 80 milhões de brasileiros vivem em situação de subemprego e desemprego, quase 50 milhões dos que têm um emprego recebem menos de um salário mínimo. Segundo a Revista Forbes, neste mesmo ritmo há muitos brasileiros na lista dos maiores bilionários do mundo. Grande parte dessa riqueza são os altos lucros de banqueiros e empresários à custa de baixos salários, retirada de direitos dos trabalhadores, entre outros.
Os baixos salários, o desemprego, a fome, a miséria fazem a classe dominante massacrar os escravos modernos. Quem vive numa condição “confortável” e os “que se acham” não percebem isto. O susto só ocorre quando surge o desemprego e consequentemente a perda do plano de saúde, do dinheiro para pagar o condomínio, o financiamento, a escola, quando surge a fila do hospital público, a aposentadoria, a doença grave e a necessidade do SUS. Quando fica vulnerável. É sentindo a dor do outro (menos favorecido) que vem à tona que também é pobre.
Há um incômodo quando uma classe menos favorecida começa a crescer; surge o receio da perda de espaço dos “senhores de engenho”. Não querem a igualdade, há o medo da evolução da “senzala” e da superação da “casa-grande”. A crítica preconceituosa aos nordestinos é a raiva dos que se sentem “superiores” serem desafiados hierarquicamente e saberem que o poder de longos anos sobre os mais fracos pode ser mudado a partir do voto livre e consciente e o acesso à educação. Se os mais ricos lutam pelo poder, os mais pobres lutam pela vida, direitos e liberdade. “O nordestino é antes de tudo, um forte.” (Euclides da Cunha).
Portanto, a pobreza e a ignorância não são dos nordestinos, mas dos que só enxergam o seu mundo e impõem um modo de vida, uma religião, um candidato, um partido político, a opção que lhes convém, um vestuário, uma cor do cabelo, um modelo de corpo, um modelo de estudo, o que ouvir, assistir, ler, enfim... Caso contrário o oprimido é estereotipado de ignorante. Cada pessoa deve fazer as suas escolhas e deixar que os demais também tenham o direito de fazerem o mesmo. Afinal, o mesmo Sol que bronzeia a pele de “fulano” é o que queima a terra de “beltrano e sicrano”. A diferença é que “fulano”, na sua piscina, desconhece o que é a seca, a falta d´água e a fome.



REFERÊNCIAS

DE CADA TRÊS NOVOS DESEMPREGADOS NO MUNDO EM 2017, UM SERÁ BRASILEIRO. Disponível em: <https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,de-cada-tres-novos-desempregados-no-mundo-em-2017-um-sera-brasileiro,10000099759>. Acesso em: 8 de outubro de 2018.

EM 79º LUGAR, BRASIL ESTACIONA NO RANKING DE DESENVOLVIMENTO HUMANO DA ONU. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/em-79-lugar-brasil-estaciona-no-ranking-de-desenvolvimento-humano-da-onu.ghtml>. Acesso em: 8 de outubro de 2018.

OS NORDESTINOS E O PRECONCEITO NOSSO DE CADA DIA. Disponível em: <http://www.socialistamorena.com.br/os-nordestinos-e-o-preconceito-nosso-de-cada-dia/>. Acesso em: 8 de outubro de 2018.

PRECONCEITO. Disponível em: <http://www.aulete.com.br/preconceito>. Acesso em: 8 de outubro de 2018.

1% DA POPULAÇÃO GLOBAL DETÉM MESMA RIQUEZA DOS 99% RESTANTES, DIZ ESTUDO. Disponível em: <http://www.socialistamorena.com.br/os-nordestinos-e-o-preconceito-nosso-de-cada-di https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn>. Acesso em: 8 de outubro de 2018.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O que é conhecimento?

Para primeiro entender e explicar o que é conhecimento é necessário estudar a etimologia da palavra, isto é, o ponto de partida para o entendimento de um termo, a origem dos vocábulos. Assim, a palavra conhecimento, do latim cognoscere, é formada por “com” (junto), mais “obter conhecimento” (gnoscere).
O conhecimento começa na Filosofia, e é o ato de descobrir algo pela razão e o pensamento de forma ilimitada, utilizando o questionamento como ferramenta, em busca da verdade absoluta de forma crítica.
Com o tempo o termo foi criando dicotomias, isto é, surgiram ramificações do conhecimento baseadas em três elementos: o sujeito, o objeto e a imagem. Assim, há o conhecimento intuitivo, sensorial, intelectual, científico, teológico, popular etc.
Portanto, o conhecimento está em constante movimento e tendendo a mais infinito, à procura do novo, pois o tempo não para.

Renato Luiz de Oliveira Ferreira


 NOTA

Tema apresentado no Fórum de Teoria do Conhecimento do curso de Filosofia da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) em novembro de 2017.

REFERÊNCIA

LARA. Valter Luiz. Teoria do conhecimento. O que é conhecimento?. Apostila de Educação a Distância. Cruzeiro do Sul Educacional. Campus Virtual.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Um “povo” que ainda não aceita a igualdade

A História do mundo demonstra que desde as antigas sociedades  ocorreram formas de discriminação e dominação. Esses fatos foram marcantes e chegam à contemporaneidade ainda criando uma entropia social. Com os ganhos da Revolução Americana em 1776 e da Revolução Francesa em 1789 ganharam força os movimentos socialistas com o objetivo de criar uma sociedade menos desigual, porém, as correntes contrárias mantiveram oposição.
O homem, na maioria dos casos, é produto do seu meio cultural em que fora socializado, acumulando ao longo do tempo energia potencial dos seus antepassados, isto é, conhecimento e experiências. Assim, a identidade brasileira surge da fusão da mestiçagem dos seus plurais grupos étnicos e suas idiossincrasias. Daí o porquê da pessoa não nascer com uma identidade, mas essa identidade ir sendo adquirida e evoluída dentro de si e do seu coletivo. Assim, o povo brasileiro, mesmo com a sua identidade formada, é impedido de sê-lo, conforme cita Darcy Ribeiro em “O povo brasileiro”.
Apesar do teórico fim da escravidão, em 13 de maio de 1888, há a continuidade do preconceito covarde contra os negros no Brasil. Não obstante os esforços por parte da sociedade, esse mal ainda está enraizado. Infelizmente, em pleno século XXI, no Brasil, ainda surgem notícias de trabalho escravo. É nítida a diferença social dos negros e dos seus descendentes, e, quando há projetos de melhoria e diminuição da desigualdade, grupos ainda tentam barrá-los.
Há diariamente nos meios de comunicação reportagens a respeito de atitudes racistas. Nas redes sociais, principalmente no Facebook, surgem atitudes de intolerância e ódio racial sem limites. Conforme Constituição Federal, Art. 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”.
Pessoas ainda veem a cor da pele e a condição social como características de delinquentes. É um crime estereotipar de forma preconceituosa uma pessoa devido à melanina acentuada de sua pele. Esse discurso de ódio é uma tentativa de utilização de mecanismos de controle somados a não aceitação da igualdade, a insatisfação com o crescimento de quem sempre viveu à margem da sociedade, tal qual ocorre contra as classes menos favorecidas que recebem míseras ajudas do Governo Federal para que possam sair da situação de extrema pobreza.
Portanto, o Brasil tem uma penhora com os cidadãos de ascendência africana. Há a necessidade de reação e punição contra os racistas, do diálogo, para que seja encontrada a fórmula verdadeiramente libertária e igualitária do negro para a formação de uma sociedade livre, consciente, com respeito às diferenças e igualdade de deveres e direitos.


Renato Luiz de Oliveira Ferreira


NOTA
Artigo apresentado no Fórum de Cultura Brasileira do curso de Filosofia da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) em setembro de 2017.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Arthur Bispo do Rosário e a Vanguarda da Arte Contemporânea

Sigmund Freud assim definiu as estruturas clínicas da psicanálise: Neurose, caracterizada por conflitos que inibem as condutas sociais, sem, entretanto comprometer a estrutura da personalidade. Exemplos: angústia, fobia, ansiedade, depressão; Psicose, distúrbio mental agudo que produz distorções na percepção da realidade e desintegração da personalidade, às vezes acompanhado de estados alucinatórios. Exemplos: esquizofrenia, paranoia; Perversão, quando o sujeito tornar-se perverso, corrompendo a ordem ou estado natural das coisas, tendo forte influência a sexualidade. Exemplos: sadismo, masoquismo. Geralmente na pessoa o desequilíbrio em alguma das estruturas precisa ser tratado.
Alguns gênios na história foram considerados “loucos”. Segundo o escritor Allan Poe muitas pessoas já o caracterizaram como louco. Há outros exemplos: Nietzsche, Beethoven, Darwin, Tesla, Pasteur, Einstein, Van Gogh, entre outros. Partindo desse pressuposto há o artista plástico brasileiro, Arthur Bispo do Rosário. Ele ficou internado durante 50 anos na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Diagnosticado com esquizofrenia não recebeu tratamento digno, porém, através da arte conseguiu uma libertação por meio da pulsão e seu impulso energético, um poder de superação.
Durante o longo período de internação Rosário produziu grandes obras. Daí a suspeita de cientistas de que uma grande inteligência e a “loucura” são separadas por uma linha tênue. Segundo o filósofo e psicólogo William James quando um intelecto superior se une a um temperamento psicopático criam-se as melhores condições para o surgimento daquele tipo de genialidade efetiva que entra para os livros de história.
Bispo do Rosário demonstra em suas obras que a arte não é um intervalo real fechado entre extremos, mas aberto, com tendência a mais, ou menos infinito, podendo ser natural, racional ou “irracional”. Em seu trabalho Rosário considera que o objeto real se apresenta por si só, onde traz à lembrança as ideias de Marcel Duchamp. Assim, Rosário procura romper com o tradicionalismo da arte e mostra as variações do cotidiano em prol da liberdade artística da pós-modernidade.
Bispo do Rosário recebeu uma homenagem especial em março de 2015 no Museu que leva o seu nome na cidade do Rio de janeiro. A mostra foi batizada com o nome de “Um canto, dois sertões: Bispo do Rosário e os 90 anos da Colônia Juliano Moreira”. As obras expostas, de grande criatividade, tais como, bordados, colagens e estandartes, e com influência do folclore regional, teve como exemplos: “Estandarte”, que retrata o sanatório onde esteve confinado; “Jangada”, que retrata um barco e a temática marinha; “Cama de Romeu e Julieta”, construída de sucatas e dedicada a uma psicanalista; “Manto da Apresentação”, obra que retrata a forma como desejava se apresentar a Deus.
Desta forma, Rosário reinventa um mundo com o impressionismo e o realismo contemporâneo, pois utiliza a sua dura realidade de negro banido da sociedade e transforma o seu desencanto em fonte de inspiração para encantar o mundo daqueles que têm sensibilidade de enxergar a alma do artista, pois, deixa para a humanidade um exemplo de materialização da história do seu tempo para ser atemporal. Daí a sua significativa importância na vanguarda da arte contemporânea brasileira.


Renato Luiz de Oliveira Ferreira


REFERÊNCIAS

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: A ARTE ENQUANTO LINGUAGEM DA ESQUIZOFRENIA. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Lm6Iz8eu24E>. Acesso em: 10 de outubro de 2016.

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/as_artes_de_arthur_bispo_do_rosario.html.>. Acesso em: 10 de outubro de 2016.

ESTRUTURAS CLÍNICAS DA PSICANÁLISE. Disponível em: http://www.psicologiasdobrasil.com.br/as-estruturas-clinicas-na-visao-da-psicanalise/. Acesso em: 10 de outubro de 2016.

ESTUDO SOBRE O CONCEITO DE PERVERSÃO. Disponível em: <https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/um-estudo-sobre-o-conceito-de-perversao © Psicologado.com>. Acesso em: 10 de outubro de 2016.

GÊNIOS E LOUCOS. Disponível em: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/sobre_genios_e_loucos.html. Acesso em: 10 de outubro de 2016.

LOUCURA DE ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO. Disponível em: <http://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/04/loucura-de-arthur-bispo-do-rosario.html.> Acesso em: 10 de outubro de 2016.

NEUROSE. Disponível em: http://www.aulete.com.br/neurose. Acesso em: 10 de outubro de 2016.

PSICOSE. Disponível em: http://www.aulete.com.br/psicose. Acesso em: 10 de outubro de 2016.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Reflexões sobre a obra de René Magritte

A arte por ser subjetiva não reflete apenas a representação do mundo na visão do artista ou a capacidade deste através de sua habilidade e técnica, de brotar a sua ideia. A arte também representa um estado de espírito que marca o instante do artista e sua busca em conceber através de uma linguagem os seus sentimentos e sensações frente às suas experiências, resultando em uma imagem (obra de arte) em plena harmonia com o mundo sensível, com caráter estético, de forma a despertar o clímax, uma sensação involuntária de emoção ao seu apreciador, provocando uma catarse.
Esta mimese do mundo real que a arte transporta para o utópico de forma atemporal é que faz René Magritte recriar a realidade, isto é, conforme mostra Johnny Alf na música Eu e a Brisa: “[...] buscando um sonho em forma de desejo... [...] o inesperado faça uma surpresa e traga alguém que queira te escutar, e junto a mim queira ficar”.  Assim, o apreciador se encanta ao ver a tela “Perspicácia”, onde o artista olha para um ovo, mas projeta sua imagem além do tempo, pintando o futuro, um pássaro. Uma prova de que o artista pode retratar qualquer tempo verbal.
Na pintura “Tentando o impossível”, Magritte utiliza a fenomenologia através da sua consciência e experiência pessoal, pois a percepção do artista tem intencionalidade dirigida para o objeto. Neste caso, a pintura em homenagem à sua mulher imortaliza o seu objeto de desejo (o modelo). Assim, para o apreciador há uma perspectiva natural de visualização apenas do objeto pintado, porém, para o artista há uma perspectiva fenomenológica, pois ultrapassa a lógica do mundo real para ir de encontro à consciência do objeto, colocando-se em um “novo mundo”, porém sem negar a existência do real, isto é, um processo de libertação através da imagem, além do mundo material (transcendental).
Portanto, o artista consegue um equilíbrio na exposição de sua obra, de forma material e incorpórea. Magritte leva o apreciador a enxergar a vida ao avesso, da mesma forma como acontece no filme “O curioso caso de Benjamin Button”, onde uma pessoa experimenta a vida ao contrário, isto é, nasce velha e vai a cada dia ficando mais jovem. Este também é um caso impossível no mundo real, mas que na mente do artista passa a ter um sentido possível e utópico de engrandecimento da vida, causado pela experiência estética e ontológica que leva à fruição artística.



Renato Luiz de Oliveira Ferreira


NOTA

Artigo apresentado no Fórum de Estética do curso de Filosofia da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) em outubro de 2016.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O gosto e o belo na arte se discute?

Na Estética o estudo sobre o belo e os seus reflexos na criação artística de forma racional busca estabelecer um conceito filosófico de gosto e belo através do pensamento kantiano e hegeliano.
Immanuel Kant vai além da razão para explicar que gosto se discute sem existir disputa, mas com opiniões equilibradas e bom senso, pois o belo é pessoal, não é apenas algo muito bonito com traços e proporções que satisfaçam os padrões de harmonia e beleza. Já o gosto é a capacidade de julgar esteticamente uma obra e sua agradabilidade que é resultado da contemplação do objeto gerando uma harmonia entre a representação da imagem e o prazer. Assim, na sua obra “Crítica da Faculdade de Julgar”, publicada em 1790, Kant explica que tem de haver uma lapidação das opiniões para um denominador comum ou prevalecimento de uma ideia de gosto para a discussão do belo, porém sempre de forma sensível para perceber o prazer que o objeto desperta para formar um juízo estético espiritual e universal da arte criada pelo gênio, isto é, o artista e o seu talento.
Hegel diz que a estética é a ciência dos sentidos, pois, a obra de arte deve ser interpretada pela emoção (sentido) que proporciona ao observador do que pelas características apresentadas. Assim, na prática, o belo é indefinível, mas se fundamenta no próprio juízo. Hegel valoriza o pensamento de Kant a cerca do tema, onde há uma tendência de fusão através da arte entre espírito e natureza, porém, não aceita a teoria kantiana de que a arte, tacitamente reconduz à separação entre espírito e natureza porque se prende à contradição entre o objeto e o observador. Assim, Hegel rompe com Kant porque não acredita numa ciência do belo, mas defende o belo como a essência estética e obra do espírito humano.
Portanto, o conceito de belo e o seu valor na estética conforme cita Mikel Dufrenne no livro Estética e Filosofia, e, que utiliza as teorias kantiana e hegeliana para demonstrar que o belo não é subjetivo, mas conforme Kant é o prazer e o sensível do observador quem determina o que seja o belo e, conforme Hegel, que o belo é o objeto idealizado pelo sujeito. Assim, Dufrenne define o belo como o objeto experimentado pelo observador. Daí os porquês de gosto e beleza serem passíveis de um debate.


REFERÊNCIAS

DUFRENNE, Mikel. Estética e filosofia. Tradução de Roberto Figurelli. São Paulo: Perspectiva, 1981.

Gosto se discute? Disponível em: http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/38/artigo273804-1.asp. Acesso em: 25 de outubro de 2016.

SANTOS. André Luís Pereira dos. Estética. O belo o gênio e o gosto no pensamento estético. Apostila de Educação a Distância. Cruzeiro do Sul Educacional. Campus Virtual.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Considerações sobre o perdão


Uma das coisas mais extraordinárias da natureza é a metamorfose. Uma mudança que também ocorre no Homem, ― não da mesma forma dos insetos, batráquios (anfíbios) ―, mas, no sentido figurado, uma renovação na sua essência.
O escritor Rubem Alves explica sobre a renovação da vida e a razão do mestre supremo dos haicais (pequena composição poética japonesa em três versos), o poeta japonês, Matsuó Munefusa Bashô (1644-1694), a respeito da sua paixão pelas bananeiras:

“A sua admiração era tamanha que o apelido Bashô tem o significado de ‘bananeira’. [...] Trata-se de uma árvore estranha: dá somente um cacho de bananas. Seu caule extremamente macio deve ser cortado ― o que pode ser feito com um único golpe de facão. Cortado o caule, de dentro do cepo velho nasce um broto que cresce e vira outra bananeira. [...] Entendi, então, a razão do gosto de Bashô pelas bananeiras: elas simbolizam a nova vida que brota sempre da vida velha, acabada”. (ALVES, 2011, p. 43 e 44).

É justamente este renascimento que ocorre com quem começa a praticar o perdão. Mas isso, conforme toda mudança requer um tempo, pois há a necessidade de ser semeada, cultivada e, por fim, brotada de forma natural, com uma grande dose de amor, mas não da forma vulgar como é utilizado na contemporaneidade. A palavra amor precisa ser entendida etimologicamente e espiritualmente no seu verdadeiro sentido.
A respeito do amor, segundo o filósofo Ghiraldelli Junior, se divide em três formas:

“Para os gregos, o amor se expressava em duas palavras: ‘eros e philia’. A tradução moderna diz que ‘eros’ relaciona-se ao amor com conotações sexuais, e que ‘philia’ é o amor da amizade. [...] Todavia, essa forma de traduzir diz mais de nós, modernos, que dos gregos. ‘Philia e eros’ não tinham essa distinção tão rígida. Ambas significavam o amor. Quando se queria fazer alguma distinção, era necessário dissertar sobre tais palavras e as atividades envolvidas”. [...] a palavra ‘ágape’: escrita em grego pelos primeiros padres da Igreja, quando do advento do movimento cristão, refere-se ao amor de Jesus, algo bem diferente, pois era o amor de Deus para com os homens ― fraternal: em que todos somos irmãos. Portanto, ‘ágape’ é o que se aproxima do amor familiar, mas posto para todos em relação a todos”. (GHIRALDELLI, 2011, p. 9 e 10).

Geralmente se concede o perdão à pessoa e não ao ato, pois há momentos em que uma criatura comete um erro de forma involuntária ― porque é humana ― ou de forma consciente, acreditando, na sua estupidez, que está agindo corretamente, e às vezes para o bem do próximo; porém há casos em que a maldade surge porque está na essência de quem a pratica. Pode ocorrer também, de uma pessoa ser magoada porque praticou uma ação indevida e que provocou uma reação de ira em outra. Há situações de alguém magoar por estar nervoso ou radiante ao extremo e não pensar nas consequências, principalmente porque há dois sentimentos efêmeros que provocam a cegueira humana: um é a paixão, o outro é o ódio, bem diferente do desamor. A paixão é como uma bebida alcoólica que “aquece” o sangue e dá um movimento impetuoso a alma e uma atração forte pelo outro ou por algo; uma parcialidade, muitas vezes confundida por amor, levando pessoas a cometerem loucura por uma felicidade temporária. Já o ódio é outra bebida que provoca um efeito contrário, causando um movimento entrópico (caótico) no organismo, onde se perde a noção de equilíbrio, levando ao adoecimento do corpo, da mente e da alma.
Uma das mais belas e divinas transformações que a vida pode oferecer a um indivíduo é a metamorfose da alma: é quando a paixão se transforma em amor, e o ódio em perdão, um gesto de amor. Tudo isso sem pedir nada em troca. Não há como deixar de lembrar de Riobaldo na obra Grande Sertão: Veredas: “Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”. (ROSA, 1994, v.2, p. 438 e 439).
Quando alguém percebe que está preparado para perdoar ele o faz seguindo os três amores. Pode ser através do amor eros, quando um dos parceiros ou ambos, dão o perdão após uma grande mágoa ou conflito. Muitas vezes para salvar o relacionamento, a família, o outro, a si mesma, uma pessoa cede e perdoa. Após o ato, a paz começa a reinar e a felicidade renasce aos poucos... é a presença desse amor. Também ocorre o contrário, de em nome do amor e da falta de reciprocidade, deixar que o outro navegue em direção a outros mares e, que, se o amor for recíproco, que volte para ser recebido de braços abertos pelo seu porto seguro, mas caso não seja, que siga o seu caminho, aporte em outro coração e seja feliz. Dessa forma, estarão livres para serem como a “bananeira”, que cortada o caule, cresce e vira outra bananeira, com cada um renascendo para um novo amor e transformando o antigo em amizade (philia) ou apenas lembrança. Percebe-se então, que o amor eros não é imortal.
O perdão também pode vir do amor philia: altruísta, carinhoso, amigo, generoso, doador, podendo até ser platônico, entre outros. Pode acontecer quando uma pessoa qualquer: pai, mãe, filho, irmão, amigo, causa ao outro uma grande frustração, dor, mágoa, e assim por diante. Este perdão poderá vir de duas formas: a da aproximação, quando depois de uma grande reflexão a alma libera a energia negativa armazenada (potencial) dissipando-a de forma dinâmica (cinética), liberando o ressentimento, a dor, o choro contido por muito tempo, aliviando os ombros, os pulmões, o ritmo cardíaco, a adrenalina, a mente, e finalmente o espírito. Muitas vezes termina num aperto de mão, num abraço, num beijo, num sorriso.
Pode-se também perdoar através do distanciamento, sem que a outra pessoa jamais fique sabendo, pois além de estar um pouco afastada pode ter falecido. Isso provoca, no mínimo, a uma das partes, a libertação das amarras e do peso da dor ― provocadora de doenças físicas e psíquicas que se estende aos membros de sua família ―, além de eliminar as perturbações que fazem a pessoa perder o sono com pesadelos, a paz, a alegria, os momentos felizes... devido à sombra de alguém o destruindo. O mais incrível é que, enquanto não ocorre o ato, ambos permanecem ligados por uma corrente do mal. É a interrupção e a criação de uma dicotomia ― com cada um seguindo o seu verdadeiro caminho ― que surgirá a sensação de bem estar.
Um dos mais belos exemplos de amor é o maternal (philia), pois mesmo com a quebra do cordão do bem (umbilical), um cordão sentimental continua para a eternidade. Neste caso jamais haverá um substituto. Por isso, segundo Ferreira (2014):  

“Há um equívoco quando dizem que ninguém é insubstituível, porque simplesmente trocar uma pessoa por outra é muito fácil; porém o grande desafio para a humanidade é descobrir um substituto à altura do substituído. Isso sem esquecer de que há casos impossíveis devido à questão sentimental (o amor)”. (FERREIRA, 2014).

Finalmente, o perdão pode vir na forma do amor ágape, que está acima do físico, pois é espiritual, atemporal, eterno, sincero, igualitário, como é o amor de Deus e o do seu filho, Jesus Cristo, que deu o maior exemplo de perdão para a humanidade. Isso só é entendido quando a pessoa passa a caminhar ao lado do Pai e começa a entender que:

“As coisas simples são as mais belas e sinceras da humanidade, saem do fundo da alma, pois é a nossa cara pelo avesso. Mostra-nos quem somos, enxergamos, sentimos e sonhamos o que seja o mundo. Assim podemos entender como e o porquê que Deus o criou, para em seguida descobrirmos as vias para irmos ao seu verdadeiro encontro. São caminhos simples: a inspiração, que é o sinal da comunicação; a concentração, que é o momento do encontro; a fé, que é o alimento; a oração, que é o diálogo; a obediência, que é o direito à caminhada ao lado do Pai”. (FERREIRA, 1992).

Esse amor ágape é capaz de fazer acontecer o perdão sem nada em troca, libertando espiritualmente o Homem. É como uma doação, no caso de ajuda a um enfermo, a um desempregado, a um faminto, a uma pessoa que sofreu violência, a um deficiente físico ou mental, entre outras.
Pensando na teoria espírita, quando o perdão não surge o ódio é levado para outras vidas. Não há a libertação. A pessoa já sabendo das dificuldades, deve começar pedindo perdão a si, depois ao próximo e finalmente cedê-lo com amor e de coração aberto. Um grande exemplo é a primeira epístola de São Paulo aos Coríntios (1 Co 13: 1-13), citada pelo poeta português, Luís Vaz de Camões, na obra ‘Os Lusíadas’, soneto XI, intertextualizada e musicada pelo compositor Renato Russo com o título de Monte Castelo: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria... [...] É só o amor que conhece o que é verdade”. (RUSSO, 1989).
Portanto, para realizar o perdão através das três formas de amor, tem de haver o desapego para se ganhar a alforria. Cada indivíduo deve se alimentar de bons fluidos e ganhar diariamente a força necessária para a prática do bem e para o seu renascimento através da felicidade interior a ser irradiada para o mundo. Esta é a melhor forma de guardar alguém, pois guardar não é acorrentar uma pessoa aos pés, mas deixá-la viver. Tudo isso com uma dose de carinho e presença permanente: no pensamento, fisicamente, espiritualmente. Dessa forma, cada pessoa entenderá que: “O amor só é válido quando há permissão das partes para vivê-lo como um todo ― intensamente ―, sem pensar no amanhã, mas apenas senti-lo a cada instante, na forma mais pura possível”. (FERREIRA, 2010).
Por isso, o perdão é a energia renovável que transforma a alma através do amor, dando asas a liberdade.

Renato Luiz de Oliveira Ferreira

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Variações Sobre o Prazer: Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette. 6a ed. São Paulo: Planeta do Brasil, 2011.

FERREIRA, Renato Luiz de Oliveira. A difícil arte de substituir. 2014. Disponível em: <http://renatoluizdeoliveiraferreira.blogspot.com.brl>. Acesso em: 26 de agosto de 2014.
              
               . Caminhos de Encontro. 1992. Disponível em: <http://renatoluizdeoliveiraferreira.blogspot.com.brl>. Acesso em: 26 de agosto de 2014.

               . O Amor. 2010. Disponível em: <http://renatoluizdeoliveiraferreira.blogspot.com.brl>. Acesso em: 26 de agosto de 2014.

GHIRALDELLI Junior, Paulo. Como a Filosofia pode explicar o Amor. 1a ed. São Paulo: Universo dos Livros, 2011. 112 p.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 1a ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. 2.

RUSSO, Renato. As Quatro Estações. Rio de Janeiro: EMI, 1989. Disponível em: <http://letras.mus.br/legiao-urbana/22490/>. Acesso em: 26 de agosto de 2014.



quinta-feira, 27 de março de 2014

Uma questão de saúde e algo mais


A situação da saúde no Brasil é grave, mas a culpa não é apenas do governo federal (presidente Dilma Rousseff) ― conforme muitos acham, por desinformação ―, mas também, dos estados, pois recebem a verba do SUS e têm a responsabilidade de distribuí-la. Os governos da União, dos estados e dos municípios são obrigados a realizar uma gestão eficiente dos serviços públicos, mas não fazem.
Os estados são governados pelos seguintes partidos: o PSDB 8 estados, o PSB 6, o PMDB 6, o PT 4, o PSD 2 e o DEM 1. Em todos eles a situação é a mesma, os governos não conseguem um atendimento eficaz em saúde, educação, transporte e segurança.
Do jeito em que estão as coisas as pessoas têm de reclamar mesmo; assim as mudanças acontecem, porém, a crítica precisa ser de forma imparcial. Colocar a culpa apenas no poder Executivo é um erro, pois também há os poderes Legislativo e Judiciário; não esquecendo que, o poder mais importante para as mudanças que o país precisa é o Legislativo, pois é quem fiscaliza o Executivo, vota as leis orçamentárias, e, em situações específicas, julga a conduta de seus membros, do Presidente da República, entre outras atividades.
Voltando à questão da saúde, os melhores planos públicos do mundo são os da França, Canadá, Reino Unido, Suécia e Espanha. Saiba que nestes países não há a desigualdade existente no Brasil.
Mesmo com toda a deficiência o SUS ainda é superior ao sistema de muitos países, além de ser copiado por alguns. Por exemplo, nos EUA não há plano de saúde público. O presidente Barack Obama está tentando criar um para a população carente. Apesar de todo o esforço, não consegue porque a oposição não quer. É a famosa politicagem.
Conforme informa o Instituto de Defesa do Consumidor - IDEC: “Está enganado quem pensa que o SUS se resume a consultas, exames e internações. O sistema hoje faz muito com poucos recursos e também se especializou em apresentar soluções para casos difíceis, como o atendimento aos doentes de AIDS e os transplantes.”.
O IDEC ainda enfatiza: “[...] Por outro lado, os planos privados de saúde, que atendem 35 milhões de brasileiros, estão longe de representar a solução para a saúde no Brasil. É ilusão achar que os planos prestam serviços de qualidade. Além de custarem caro, muitas vezes negam o atendimento quando o cidadão mais precisa: deixam de fora medicamentos, exames, cirurgias e muitas vezes dificultam o atendimento dos cidadãos idosos, dos pacientes crônicos, dos portadores de patologias e deficiências”. Fonte: O SUS pode ser seu melhor plano de saúde / Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. 2. ed., 3.ª reimpr. – Brasília: IDEC, 2003, p. 7.
Os doentes e os idosos, na visão dos planos de saúde, já são comparados a “carros batidos”, sendo melhor opção os jovens e sadios, pois dão menos prejuízos.
Para os planos de saúde, diferentemente do SUS, só tem direito ao plano privado quem pode pagar, sendo que a sua finalidade é o lucro. Quem recebe os melhores serviços é quem paga mais, os idosos pagam mais caro, doentes sofrem restrições e precisam pagar mais caro para terem atendimento, há carências de até 2 anos, só realiza atendimento médico-hospitalar, há planos que não cobrem internação e Parto, não cobrem exames e procedimentos complexos, em geral, os planos não cobrem doenças profissionais e acidentes de trabalho, não têm compromisso com prevenção de doenças, aposentados, ex-funcionários, ex-associados perdem o direito ao plano coletivo com o tempo. Isso tudo para quem pode pagar ou tem direito pelo empregador.
O maior problema do SUS ainda é a corrupção, e a mesma não é apenas dos governos, mas também de alguns funcionários. Basta cada pessoa lembrar das recentes reportagens a respeito de médicos que marcam o ponto e abandonam o local de trabalho para irem aos seus consultórios particulares. Muitos desses médicos são contra a vinda de médicos cubanos para o Brasil alegando as mais absurdas e preconceituosas justificativas.
Num regime democrático cada pessoa escolhe o seu candidato, isso faz parte do Estado de Direito. Se o eleito fará uma boa administração só o tempo dirá, pois em todos os partidos há problemas de corrupção. Por exemplo, enquanto o PT teve o seu mensalão, o PSDB e o DEM também tiveram, com Eduardo Azeredo, Cláudio Mourão, Walfrido dos Mares Guia, Demóstenes Torres, entre outros. Não esquecendo dos demais problemas do PT (Petrobras), PSDB (caso Alstom) e muitos outros que são divulgados diariamente. A sociedade não suporta mais isso.
O problema, conforme comenta o cientista político Alberto Carlos Almeida em seu ensaio ‘Amnésia eleitoral’ do livro "Reforma Política: Lições da História Recente", editora FGV, está na falta de fiscalização do eleitor; muitos não conseguem lembrar em quem votou. Almeida ainda revela que, 71% dos eleitores esquecem em quem votaram para deputado federal quatro anos antes e outros 3% citam nomes inexistentes. Essa amnésia começa cedo: dois meses após a eleição, 28% já não se recordam de seu candidato a deputado federal, e 30%, em quem votaram para deputado estadual (os dados constam do Estudo Eleitoral Brasileiro conduzido pela UFF e pelo Cesop/Unicamp). Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0705200615.htm>. Acesso em: 27 de março de 2014.
E você, lembra em quem votou e fiscaliza o seu candidato?
Aparecem diariamente na internet informações falsas, divulgadas para manipular pessoas, e as mesmas, antes de formarem opinião repassam para outrem sem antes procurar verificar a sua veracidade em sites independentes e confiáveis. Isso é uma forma de fugir do diálogo técnico e criar factoides.
Uma forma de entender estas questões é através do livro “A ditadura da mídia”, do jornalista Altamiro Borges; um alerta a respeito da manipulação midiática da sociedade. Um grande exemplo é a briga de duas grandes revistas: VEJA representando o PSDB e a Carta Capital representando o PT. Isso sem falar das famílias e empresas que são donas das grandes redes de comunicação do mundo e que só divulgam aquilo que interessam para manipular a sociedade. Por isso, conforme disse João Ubaldo Ribeiro no seu livro “Política; quem manda, por que manda, como manda”: “Não seja colonizado, medroso, calado, burro”. Isto é, não seja manipulado por ninguém.
O jornal Valor Econômico de 26/3/2014 mostrou quatro reportagens interessantes: a primeira é a de que doleiros usam “igrejas” para lavar dinheiro: “Doleiros usam imunidade tributária conferida por lei (Constituição) a templos religiosos para lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação fiscal”. O jornal também explica que, o número de entidades religiosas já é maior que o número de sindicatos e cooperativas.
A segunda reportagem é a de que dispara o número de milionários no Brasil; a tendência é de uma alta exponencial nos próximos cinco anos, isso sem contar no aumento do número de bilionários, diretamente proporcional à diminuição da miséria.
A terceira, o Reino Unido quer investir mais em óleo e gás no Brasil. Apesar do crescimento mais lento da economia, o Brasil permanece com “grande” atratividade para investimentos britânicos na área de petróleo, gás e energia elétrica. Esta é a avaliação do ministro britânico Kenneth Clark. Clarke também afirmou que, “a desaceleração brasileira não é algo diferente do que acontece no resto do mundo”.
A quarta, o sociólogo italiano Domenico de Masi acaba de lançar o livro “O Futuro Chegou – Modelos de Vida para uma sociedade Desorientada”, pelas editoras: Quitanda Cultural e Casa da Palavra. O escritor utilizou como referência o livro “Brasil, um País do Futuro”, do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942). Segundo o sociólogo: “O Brasil é um modelo para a sociedade pós-industrial. É uma das poucas economias cujo PIB cresce há 30 anos, cujas distâncias sociais diminuem e a qualidade de vida melhora”.
Domenico de Masi complementa: “[...] É a única economia na qual, por oito anos, um presidente sociólogo incrementou a riqueza nacional e por outros oito anos um presidente sindicalista tratou de redistribuí-la. [...] Da mesma maneira não basta dizer que “todos sabem” que a crise deflagrada em 2008 não é uma crise, mas o início de uma longa e implacável redistribuição mundial de riqueza”. Fonte: Jornal Valor Econômico de 23 de março de 2014.
O que estas reportagens têm em comum: os paradoxos do Brasil, enquanto cresce o interesse do mundo em investir aqui porque o país melhorou e a desigualdade diminuiu empurrando para cima os que estavam na base da pirâmide, aumentando exponencialmente o número de milionários e consequentemente o de bilionários; de outro lado há a corrupção, grande responsável pelos problemas críticos da nação. A corrupção não está apenas no governo, mas diluída em grande parte da sociedade.
Por exemplo, responda aos seguintes questionamentos do repórter Fabrício Battaglini: “Você se considera uma pessoa correta? Faz tudo direitinho ou gosta de se dar bem, mesmo deslizando naquelas “pequenas” atitudes que a maioria das pessoas acaba cometendo pelo menos uma vez na vida? Por exemplo, de não devolver o troco recebido a mais, falsificar carteirinha de estudante, comprar produtos piratas, dar aquela "furadinha" na fila, tentar subornar o guarda para evitar multas, colar na prova, bater ponto para o colega, apresentar atestado médico falso para justificar uma falta... E por aí vai”. Disponível em: <http://gshow.globo.com/programas/mais-voce/O-programa/noticia/2014/03/pequenas-corrupcoes-alunos-de-direito-usam-aplicativo-em-esquema-de-cola.html>. Acesso em: 27 de março de 2014.
Faço a você algumas perguntas, porém, responda sem pensar em opção partidária, mas apenas no tema: como era há dez anos a sua vida, dos seus familiares e da maioria das pessoas que você conhece? Como está você e as demais pessoas hoje? Melhoraram ou não? Da forma que está como será o país no futuro?
Agora continue pensando de forma diluída em relação a você, os seus familiares e conhecidos: quais carros tinham, quais eram os tipos de formação, quanto ganhavam, onde moravam, quais tipos de moradias tinham, onde passavam as férias, onde os filhos estudavam, quantos móveis tinham, quantas vezes viajaram para o exterior, quantos tinham um curso universitário, quantos viviam em extrema miséria, quantos tinham um imóvel pra morar, quanto pagavam em taxa de juros de financiamento, quais marcas de produtos consumiam, quantos estudavam em universidades públicas, quantos iam estudar em grandes universidades internacionais: Harvard, MIT, Oxford, Princeton etc., quantas universidades públicas existiam com acesso pelo ENEM, quantos estudavam com financiamento do governo, quanto pagavam pela passagem de ônibus sem o cartão Bilhete Único, qual era a taxa de desemprego, quantos empreendimentos imobiliários existiam, quanto o Brasil pagava de juros ao FMI etc.
Agora pense, como estão hoje? Melhoraram ou não? E daqui a dez anos? É difícil responder, o futuro é uma incógnita, ninguém é o dono da verdade, a pessoa apenas acredita no que viu ou concluiu após muita pesquisa de determinado tema, embora a filosofia afirme: não há como conhecer em si qualquer coisa.
Para as perguntas supracitadas há uma resposta pessoal, de consciência moral e ética, porque cada pessoa deve entender bem a diferença entre reclamar constantemente de tudo e comentar que algo não está bom, sem sentir raiva e colocar a culpa em outrem, pois conforme cita a professora Emilce Shrividya Starling: “Às vezes, precisamos corrigir algo em nós próprios que não está certo ou ensinar a alguém a agir corretamente, tudo isso sem expressar energia negativa. Daí a importância de entender essa diferença. Para sair desta angústia é necessário parar de reclamar e demonstrar gratidão pelas coisas boas, sem esquecer é óbvio, de cobrar melhorias em tudo que não está bom”.
Starling ainda dá a seguinte dica: “Escreva agora em um papel cinco coisas pelas quais você sente-se grato, pois quando você escreve em um papel, em vez de apenas pensar, você consegue sentir gratidão. Mantenha esse sentimento de gratidão pelo seu dia inteiro e perceba como você vai se sentir mais leve, mais contente. Um bom livro para você se aprofundar nesse assunto:‘Pare de reclamar e concentre-se nas coisas boas’, de Will Bowen, Editora Sextante”. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vyaestelar/pare_de_reclamar.htm>. Acesso em: 27 de março de 2014.
Na maioria das vezes, as causas e soluções dos problemas vividos não são culpa do governo, mas do próprio ser, e, por não querer assumi-las, transfere o seu veneno para o alvo errado. Às vezes até ficando com raiva de pessoas que tem opinião política contrária à sua.
Segundo a escritora Lêda Torres: “Tudo na vida é uma troca, ninguém vive sem trocar nada. Trocam-se desejos, conversas, sentimentos, interesses, de vida, ocupações, amizade etc.”.
Assim, analisando não apenas uma pessoa, mas todas as conquistas de uma sociedade é que você irá determinar quem realmente merece a sua confiança e realizar a escolha dos seus governantes. Que vença democraticamente a maioria, conforme prevê o Estado de Direito, pois conforme disse Winston Churchill: "Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".
A reclamação da saúde e dos demais problemas brasileiros é pertinente e justa, isso é coisa de uma sociedade politizada, porém, colocar a culpa em apenas uma pessoa ― por senso comum, raiva ou uma questão partidária ― não é um problema político, é pessoal.
Portanto, navegar é preciso. Não seja apenas um cidadão formado, seja também informado; use os seus sentidos sem preconceito e fanatismo. Pesquise, argumente, seja livre porque a educação é o caminho para a emancipação mental do indivíduo, mas não esqueça que, conforme citou o pensador Leonardo Boff: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”.


Renato Luiz de Oliveira Ferreira



segunda-feira, 17 de março de 2014

O preconceito contra a pessoa de melanina acentuada

Recentemente eu estava com a minha família num aconchegante Buffet no bairro de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, para uma cerimônia de casamento. Aquilo era algo novo pra mim, pois nunca havia assistido a uma cerimônia evangélica. Confesso que foi bonita e emocionante: a música, a entrada dos padrinhos, os noivos, a mensagem do orador (pastor), a atenção dada pelos funcionários da casa, a forma como fomos servidos, enfim, perfeita.
Aproximadamente às 23h30, resolvemos ir embora, mas a festa continuou de forma animada. Na saída, ganhamos o brinde dos noivos e fomos para a entrada principal. Notamos que estava chovendo. A minha família ficou aguardando eu ir buscar o carro a 50 metros do local. Como exceção, a minha filha quis ir comigo até o veículo.
Em seguida, um senhor que estava na festa conosco também tomou a mesma decisão, pediu para a sua família aguardar na porta do Buffet e foi até o local que estava o seu veículo. Por coincidência, o meu carro estava à frente do dele. Caminhamos juntos até próximo dos veículos: o meu, um Ford Fiesta popular, o da pessoa ao meu lado, um importado muito bonito ― não sei a marca, nem o nome.
Para a minha indignação, no momento em que abríamos as portas dos nossos carros para adentrarmos, surgiu uma viatura policial e abordou o senhor que estava ao meu lado. Ouvi muito gritos para que ele levantasse as mãos, ficasse de costas etc.
Passado o susto inicial, os policiais revistaram o veículo, pediram os documentos... Notaram que era uma pessoa de bem, não estava roubando aquele belo carro.
Fiquei decepcionado. Comentei com a minha filha, mas ao mesmo tempo indagando a mim mesmo: por que a abordagem foi feita apenas àquela pessoa? Eu também estava no mesmo local, por que não fui abordado? Foi por causa da minha pele branca? Qual foi o critério utilizado pelos policiais? Eu estava bem vestido, o homem que estava ao meu lado também, inclusive bem melhor do que eu. Será se foi o seu carro? Não! Infelizmente, não!
Depois fiquei sabendo que o mesmo era um pastor evangélico, convidado para o casamento. Só que na verdade, o homem só foi abordado porque era negro, não havia outro motivo de naquele momento ele ser revistado e eu não. Foi uma atitude preconceituosa sim, eu vi e senti. Fiquei envergonhado de presenciar que parte da sociedade ainda coloca a cor da pele como estereótipo marginal.
Desapontado, ele foi embora com a sua família. Talvez “entenda” melhor do que eu este ato corriqueiro, pois sentiu literalmente na pele o preconceito.
Segundo o dicionário Caldas Aulete, a definição de preconceito é: “a opinião ou ideia preconcebida sobre algo ou alguém, sem conhecimento ou reflexão; PREJULGAMENTO; uma atitude genérica de discriminação ou rejeição de pessoas, grupos, ideias etc., em relação a sexo, raça, nacionalidade, religião etc. INTOLERÂNCIA; ideia ou juízo fundado em crendices e superstições; CISMA”. Disponível em: <http://aulete.uol.com.br/preconceito#ixzz2wE11nGBS>. Acesso em 16 de março de 2014.
Segundo o jornal O GLOBO, de 12/8/2013: uma juíza federal dos EUA decidiu que, a controversa política de “stop-and-frisk, que autoriza a Polícia de Nova York a revistar “qualquer pessoa”, mesmo sem suspeitas aparentes, viola a Constituição porque é dirigida principalmente a negros e latinos.
A mesma reportagem diz: “Com os números mostrando que 87% das 533.042 pessoas paradas para averiguação no ano passado eram negras ou de origem hispânica, a juíza Shira Scheindlin viu na prática violações da Constituição e “listagem racial indireta” de milhares de cidadãos nova-iorquinos. A maioria dos suspeitos é de homens jovens e inocentes.”.
O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, prometeu apelar. Segundo ele, a prática do “pare e reviste” deixou a cidade mais segura nos últimos anos e impediu a circulação de armas de fogo ilegais. Segundo o prefeito: “as pessoas também têm direito de andar nas ruas sem serem mortas ou roubadas, cujo legado, segundo analistas, pode ser manchado pela decisão judicial”. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/mundo/juiza-declara-inconstitucional-pratica-de-revista-policial-em-nova-york-9481778>. Acesso em 16 de março de 2014.
O prefeito de Nova York só não explicou o porquê de revistar apenas negros e latinos, se os crimes nos EUA são praticados por diversos tipos de pessoas: sendo brancas, negras, e de todos os níveis da sociedade americana.
No Brasil não é diferente. Entendo que a abordagem é uma forma da Polícia inibir a criminalidade; mas por que é utilizada, na sua grande maioria, apenas para pretos, pobres e prostitutas?
Segundo a Constituição Federal, Art. 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”.
Veja o que diz Luiz Flávio Gomes, jurista e coeditor do Portal Atualidades do Direito, numa entrevista a respeito do ‘Perfil dos presos no Brasil em 2012’, após a seguinte pergunta: Os ricos também são delinquentes? Se olharmos para as pessoas que estão recolhidas nos presídios brasileiros rapidamente chegamos à conclusão (falsa) de que não. A prisão não é um referencial confiável para se saber quem comete crime no Brasil. Ela serve de referência para se saber quem vai para a cadeia. O mensalão (que envolve o PT), a corrupção na concorrência do metrô em SP (que envolve o PSDB), um milhão de outros casos criminais (que envolvem todos os demais partidos políticos, os políticos, grande parcela dos empresários etc.), as lavagens de dinheiro (que envolvem praticamente todos os bancos do planeta), os governos e ministérios (que envolvem as classes dominantes), o banco do Vaticano, sim, esses casos nos revelam que os ricos também são criminosos, gerando danos incomensuráveis para uma multidão de vítimas.
Outro comentário de Flavio Gomes a respeito de quem são os presos no Brasil: Em 2012, o sistema penitenciário brasileiro manteve o mesmo perfil de presos que nos anos anteriores. No que diz respeito à raça, cor ou etnia, os pardos eram, em 2012, maioria no sistema penitenciário com 43,7% de presença nas prisões brasileiras. Os de cor branca 35,7%, os negros 17%, a raça amarela 0,5% e os indígenas 0,2%. Outras raças e etnias apontaram 2,9% de presença. Segundo o próprio relatório do InfoPen, há um erro de cálculo nessa estática, registrando uma inconsistência de 28 mil pessoas no valor automático”. Disponível em: <http://atualidadesdodireito.com.br/lfg/2013/08/14/perfil-dos-presos-no-brasil-em-2012/>. Acesso em: 16 de março de 2014.
Em contrapartida, as estatísticas mostram a quantidade aproximada de presos em relação ao total de cada cor existente no Brasil, sendo: 0,28% de presos para uma população de 82 milhões de pardos; 0,21% para 91 milhões de brancos; 0,57% para 15 milhões de pretos. Uma demonstração de que, em relação à cor e não no total geral de brasileiros, os negros são a maioria que estão e permanecem mais tempo no sistema penitenciário; mas isso se deve à permanente história de preconceito e desigualdade. Não há provas concretas de maior prática de delitos por parte dos negros em relação aos demais, pois há muitos delinquentes burgueses vivendo uma vida normal. E além disso, em relação aos pretos, o sistema penitenciário não é um dado confiável mas sofismático. Isso também desmistifica a impressão de que os negros só são minoria no perfil de presos ― conforme índices supracitados por Luiz Flávio Gomes ― porque fazem parte de um menor número de indivíduos.
Desta forma, se existisse realmente igualdade no Brasil a quantidade de negros no sistema prisional seria menor.
Isso demonstra que, os negros na sua maioria, são marginalizados. Pessoas ainda veem a cor da pele e a condição social como características de delinquentes. Não esquecendo de que os noticiários mostram à sociedade que os maiores marginais deste país têm nível superior, colarinho branco, boa condição social etc. Por isso, não há cabimento estereotipar de forma preconceituosa uma pessoa devido à melanina acentuada1 de sua pele (negra) e o seu saldo bancário. O caráter de uma pessoa não está na cor de sua pele, mas no hábito da sua forma moral de pensar, agir e reagir perante o próximo.

Renato Luiz de Oliveira Ferreira





1O nome surgiu através de um projeto teatral organizado pelo ator Lázaro Ramos e pelo dramaturgo Aldri Anunciação, chamado de “Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada”.