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quarta-feira, 23 de junho de 2021

DESENGANO

 

Tique-taque, tique-taque, tique-taque...

― A hora não passa...

― Ansiosa?

― Não. Apenas preocupada...

Trim, trim, trim, trim, trim...

― O telefone... não vai atender?

― Não tenho coragem...

― Eu atendo.

― Alô... Sim... Ah! Ah! Ah!

― O que houve? Ele está bem?

― Sim... Está vindo.

― Oh, Deus! Que felicidade!

― Vem voando... Criou asas...

― De avião?!

― Não. Com a Maria fumaça...

― Piuí... piuí... piuí... piuí... piuí... 

― Não acredito! Vou para a estação!

― Volte aqui! Cuidado! Meu Deus...

Blem, blem, blem, blem, blem...

― Como eu fui covarde...

Blem, blem, blem, blem, blem...

― Os sinos da igreja não param...

Blem, blem, blem, blem, blem...

― Deus, me perdoe... Não tive coragem.

Blem, blem, blem, blem, blem...

― Não tive coragem de dizer a verdade...

Blem, blem, blem, blem, blem...

― Se não encontrou ele na estação...

Blem, blem, blem, blem, blem...

― Pelo menos estão juntos no céu.

Blem, blem, blem, blem, blem...


Renato Luiz de Oliveira Ferreira


sexta-feira, 16 de abril de 2021

ENCONTRO DE ARADOS

― Olá, tudo bem?

― Sim... Quer o quê?

― Uma esmola...

― Esmola?!

― Estou com fome. Preciso só de um...

― Por que não arruma um emprego?

― Conhece alguém que faria isso por mim?

― Não. Nesta condição é difícil.

― É o que ouço por aí.

― Não devemos dar o peixe, mas...

― Com fome é difícil aprender, e o lago está seco...

― Isso não é problema meu.

― Eu sei. O problema é nosso...

― Nosso?! Por quê?

― Porque preciso saciar a fome, e você...

― Entendi... Por isso que você está assim.

― Sim. Somos vítimas do capitalismo.

― Por que somos vítimas?

― Vítimas em polos opostos...

― Isso é papo de vagabundo.

― Não vivo de especulação financeira.

― Mas eles não estão na miséria.

― Sim, mas provocam a pobreza.

― Não havia pensado nisso...

― Então... Estamos no mesmo barco...

― Não. Tenho emprego, casa e comida.

― Por enquanto...

― Hum... É esperto. Como chegou nesta situação?

― Hoje estou assim, mas ontem era igual a você.

― Jogou as oportunidades fora?

― Não. Apenas o vento mudou de direção.

― Senti até um frio na barriga agora.

― Enquanto for só frio tudo bem. O pior é sentir um vazio...

― Entendi... Vou ajudá-lo! Sabe por quê?

― Porque tem piedade...

― Não... É que até conhecê-lo eu era mais pobre que você...

― Isso não! Tem quase tudo e ainda irá matar minha fome.

― Porém, antes você alimentou o meu paupérrimo espírito.

― Eu apenas abri o coração...

― Posso lhe dar um abraço?

― Mas, neste estado?

― Sim... Somos iguais e estamos na mesma.

― [...]

― Então, podemos começar a mudar o mundo.

― Ótima ideia! Antes vamos saciar a fome para seguirmos em frente...


Renato Luiz de Oliveira Ferreira

 

sábado, 8 de março de 2014

Mulher: o adjetivo de um substantivo concreto de ordem superior

Um dia para a reflexão, pois há muito a comemorar e também a lamentar.
No dia 8 de março de 1857 cerca de 130 tecelãs morreram carbonizadas numa fábrica de tecidos nos EUA pelos simples fato de reivindicarem igualdade de direitos.
Em 1910 durante uma conferência na Dinamarca ficou decidido que a data passaria a ser o "Dia Internacio
nal da Mulher", em homenagem ao desumano fato de 1857, porém, apenas em 1975 a Organização das Nações Unidas – ONU oficializou a data.
Ganhos a comemorar, não necessariamente na mesma ordem:
• Direito ao voto a partir do movimento sufragista (primeira onda feminista);
• Movimentos de liberação feminina (segunda onda);
• Luta pela correção dos valores para eliminação da dominação patriarcal, dos papéis atribuídos a cada gênero, da igualdade de direitos e deveres, e o fim da desigualdade (terceira onda em diante);
• A conquista da emancipação;
• Maior participação nos movimentos feministas;
• Fim do paradigma de sexo frágil;
• No Brasil, a conquista da igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações, conforme a Constituição de 1988;
• Direito à licença-maternidade;
• O direito à assistência gratuita: creche aos seus dependentes;
• Proibição da diferença de salários no exercício das mesmas funções;
• A proteção do Estado para a família, independente de ser formada pela união estável;
• Coibição da violência doméstica: Lei 11.340/06, conhecida com Lei Maria da Penha;
• A criação do termo gênero, diferenciando-o do termo sexo ― característica e diferenças biológicas criadas pela natureza. O gênero procura abordar as diferenças socioculturais entre os sexos e a inferioridade que ainda vive a mulher;
• A entrada da mulher no mercado de trabalho para e complementação dos ganhos das famílias;
• Como exceção, está nascendo paulatinamente, um homem proativo, enxergando a mulher como parceira, e não um objeto;
• A alta expectativa de vida da mulher;
• Igualdade, igualdade e igualdade... Entre outras conquistas.
A lamentar, não necessariamente na mesma ordem:
• Ainda há desigualdade em relação aos homens;
• As mulheres ainda ocupam poucos espaços políticos (executivo, legislativo, judiciário);
• Recebem baixos salários em relação aos mesmos cargos ocupados pelos homens;
• A sociedade patriarcal ainda tenta manter a “supremacia masculina”, impedindo o avanço intelectual e potencial das mulheres;
• A falta de mais homens proativos;
• A pressão social para provar a todo o momento capacidade em tudo o que faz;
• Duplas jornadas;
• A pressão para manter a forma imposta pelo mundo da estética;
• A “obrigação” de ser resiliente;
• A falta de liberdade para decidir sobre os seus desejos;
• Falta de respeito à sua opção sexual;
• O preconceito contra a mulher negra e pobre no Brasil;
• O tráfico de mulheres;
• Os abusos e a exploração sexual;
• A exploração sexual de crianças, na sua maioria meninas;
• A falta de respeito à questão do aborto;
• A falta de direito ao orgasmo;
• A discriminação religiosa em nome de um “Deus” criado pelo mundo machista;
• A violência: a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil;
• 372 mulheres são assassinadas por mês no Brasil. Os índices são do Instituto Avante Brasil e do Ministério da Saúde. O número infelizmente vem crescendo;
• A Lei Maria da Penha não diminuiu o assassinato de mulheres no Brasil;
• A falta de respeito aos direitos reprodutivos e proteção da mulher;
• A falta de igualdade, igualdade e igualdade...
Os lamentos citados são os novos desafios para a verdadeira emancipação da mulher.
Não podemos deixar que o 8 de março se transforme em mais uma data comercial e hipócrita tal qual transformaram o Natal, a Páscoa etc.
 
Portanto, é um dia para reflexão, pois a luta continua pelo fim da sociedade patriarcal e a universalização de uma sociedade igualitária – principal objetivo do feminismo – porque conforme disse Simone de Beauvoir: “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher.”. Uma frase que, há mais de 60 anos, inspira gerações de mulheres a mergulhar no verdadeiro significado da condição feminina. Isso é ser mulher: o adjetivo de um substantivo concreto de ordem superior. 

Renato Luiz de Oliveira Ferreira

sábado, 22 de dezembro de 2012

Comentário em quatro atos

Libertadores da América (primeiro ato)

Coincidência dos números para 2014:
Brasil 1992: o presidente, Fernando, sofre impeachment; assume o vice, Franco.
América do Norte 1994: Brasil campeão do mundo!
Paraguai 2012: o presidente, Fernando, sofre impeachment; assume o vice, Franco.
América do Sul 2014: só falta eles ganharem a copa... Nos pênaltis!...

Libertadores da América (segundo ato)


A América do Sul tem uma grande riqueza de recursos naturais e uma das maiores diversidades biológicas do planeta desprezadas em nome de uma política de desunião, favorecendo o crescimento do terrorismo, do narcotráfico, da pirataria e da miséria.
A América precisa de novos Libertadores com consciência do que representa este continente para a nossa sobrevivência.

Libertadores da América (terceiro ato)

 
[…] Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores


El nombre del hombre muerto
Ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente
Antes que o dia arrebente...


(Gil e Capinam)


Libertadores da América (quarto ato)


A forma como as coisas foram decididas só nos deixam dúvidas em reconhecer o novo governo paraguaio.
Democracia e transparência, sempre!

São Paulo, julho de 2012 

Renato Luiz de Oliveira Ferreira

"Fim" do Décimo Terceiro Salário

A década de 60 foi um período revolucionário: musical, espacial, político, militar ― corrida armamentista ―, o início da liberação sexual, além do ponto cruel, a ditadura. Durante esses anos conturbados houve um grande avanço para os brasileiros, a criação da Gratificação Natalina, instituída pela Lei 4.090, de 13 de julho de 1962 e regulamentada pelo Decreto 57.155, de 3 de novembro de 1965.
Todos os trabalhadores, independente da classe, têm direito ao prêmio pago pelo empregador. Existem regras para o recebimento conforme prevê a lei. Esse é um direito adquirido que está na Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988.
Está sendo divulgada pela Internet uma notícia de que está sendo aprovada na Câmara Federal uma lei para o fim do 13º salário. Esta notícia é um boato, não há nenhum projeto para o fim da gratificação. Isso é impossível de acontecer porque seria um suicídio para o país.
Por exemplo, quando o governo e as empresas repassam mais um salário para a população, isso automaticamente é revertido em impostos e aumento de produtividade; as pessoas acabam gastando o dinheiro recebido e geram emprego porque as indústrias são obrigadas a produzirem mais, e consequentemente há um aquecimento no mercado interno, fazendo o dinheiro retornar rapidamente aos seus cofres. O abono alavanca a economia.
Caso algum “louco” tente criar um projeto desse tipo, com certeza, o mesmo jamais será regulamentado porque precisará passar pela aprovação em maioria na Câmara Federal, depois por análise no Senado, e em seguida, necessitará da sanção da Presidência da República, onde poderá rejeitá-lo. Mesmo com a aprovação nessas instâncias o projeto será reprovado pelo Supremo Tribunal Federal porque é inconstitucional.
O décimo terceiro salário é tão importante para movimentar a economia de um país que o governo resolveu criar outros mecanismos, tais como: baixar o IPI para veículos, materiais de construção, entre outros itens.
Outra questão é o Programa de Renda Mínima. Ele melhorou muito as condições de pessoas carentes. No passado havia a indústria da seca. Os governantes nordestinos recebiam o dinheiro público e o mesmo não chegava às mãos de quem precisava. As pessoas optavam: ou morriam de fome ou iam para os grandes centros ― êxodo rural.
Com o Renda Mínima, as pessoas terminam gastando o dinheiro na própria região onde moram, gerando receita e emprego para a sua cidade. Isso faz o valor retornar para o governo em forma de impostos, diminuindo a diferença social. O dinheiro chega com mais facilidade à população carente. Ainda existem muitas fraudes, mas a tendência é diminuir, caso o governo continue fiscalizando. Tem muita gente criticando o programa sem conhecimento de causa, mas ele está sendo muito importante para o país.
É intrínseca do ser humano a vontade de crescer e mudar de vida. Ainda há pessoas achando que quem recebe um salário do governo por mês vai continuar a vida inteira assim. Isso é um grande engano. Se uma pessoa ganha R$ 100,00 hoje, daqui a alguns anos desejará ganhar mais. Assim é quem recebe ajuda do governo, amanhã estará trabalhando e deixando a verba para quem realmente precisar.
Décimo terceiro salário, Programa de Renda Mínima, entre outros programas sociais — além do emprego, é claro —, melhora a vida do cidadão, diminui as desigualdades e dá impulso ao desenvolvimento de uma nação. Isso está acontecendo com o Brasil e fazendo o país avançar rumo ao pleno desenvolvimento.

Renato Luiz de Oliveira Ferreira

Apagão aéreo

Recentemente eu recebi um e-mail que dizia o seguinte:
“O avião derrapa (provavelmente tinha lâmina de água na pista e não havia as tais ranhuras)...
Não freia (provavelmente problema mecânico)...
Um dos reversos pinado (não se sabe o motivo de estar pinado)...
Bate no prédio (acidente trágico)...
Pega fogo (devemos tirar o chapéu para os bombeiros)...
Morrem 200 pessoas... e sabe quem foi preso?
O dono do puteiro...”
Após ler o texto acima, percebi que este país é uma brincadeira de mau gosto. Os verdadeiros culpados nunca vão para a cadeia. Então resolvi escrever um texto sobre o assunto. É só para descontrair um pouco da situação do dono do prostíbulo de luxo, e não esquecendo de respeitar a memória das vítimas e a dor dos seus familiares. Segue abaixo, o texto.

Dono de casa de prostituição de luxo em São Paulo é preso, acusado do apagão aéreo

As prostitutas marcaram uma reunião para a próxima semana. O sindicato da categoria, o SINDPTS, irá fazer uma greve por tempo indeterminado reivindicando que a Justiça solte o dono da zona, ou melhor, o dono da boate.

Caso não sejam ouvidas, e a reivindicação não aceita, deixarão de atender aos seus clientes. Isso trará grandes transtornos à sociedade. Teremos uma grande queda na clientela de bares, motéis, casas de espetáculos, casas de massagem, etc. A polícia está com uma grande preocupação com os presidiários; eles estão prometendo rebeliões caso falte sexo. Alguns casais poderão entrar em crise devido ao parceiro “chegar mais cedo em casa” e não ter uma explicação convincente. Os taxistas já calculam uma redução de 90% nas corridas no período noturno. As indústrias de bebidas, fumo, cosméticos e preservativos estão calculando uma grande perda na produção deste mês. Isso poderá afetar o PIB do país.

Houve uma reunião das redes de hotéis com a ministra do Turismo. Eles calculam que haverá uma grande queda nas reservas. São Paulo tem a melhor noite do Brasil, caso os bordéis permaneçam fechados por muito tempo e os turistas deixem de relaxar e gozar, haverá demissões no setor.

Para amenizar a crise e cumprir o que manda a lei, caso ocorra a greve, o SINDPTS deixará um contingente mínimo de 30% para atendimento aos mais necessitados: presidiários, tímidos separados, masoquistas, sádicos e carentes.

"O presidente Lula" está preocupado com a situação. Caso haja a greve em São Paulo, o sindicato nacional da categoria promete aderir ao movimento, o que poderá parar o país e gerar uma onda de violência nas prisões. Em entrevista ao programa "Café com o Presidente", ele disse o seguinte: "Companheiros, quem mais vai sofrer com esta situação serão os gigolôs que dependem delas para a sua sobrevivência.".

"Segundo Hugo Chávez", presidente da Venezuela, alguns políticos brasileiros vão passar dificuldades com a greve: São quase todos, "filhos das grevistas!".

São Paulo, agosto de 2007

Renato Luiz de Oliveira Ferreira