domingo, 23 de dezembro de 2012

Por Você

Já fiz canções de amor
Tendo você, amei todas as mulheres
Deitei-me nas estrelas e beijei a lua
Nas minhas canções você era a favorita
Fiz guerrilhas, domei leões
Por você matei dragões
Você fez parte dos sonhos,
Ou será que eram alucinações
Venerava-lhe a uma rainha!
Por você eu construiria:
"Palácios" como o Taj Mahal
Atravessava a pé,
As montanhas que separam
A China do Nepal
Só desilusão restou
Onde está aquele amor
Que você me jurou,
Acabou? Será que acabou?!
Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Por Você"

Ponto de Equilíbrio

O ciclo do equilíbrio
As ondas do mar
Ponto yang yin
Trago a minha música
Para harmonizar

Já tomei de assalto
O seu coração
Mesmo que você
Relute e diga não

Nunca andei de carro importado
Nem de moto ou avião
Quando tenho dinheiro como bem
Se não tenho, como ilusão

Já li Nietzsche, Leibniz e Cervantes
Mas que bobagem
Se eu não posso ser
Seu cavaleiro errante

Como eu acredito
No ciclo do universo
Você um dia há de perceber
Que eu sempre estive aí tão perto
 Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Ponto de Equilíbrio"

Estado de Espírito

Todo poeta é louco
Alucinado ama intensamente
Intensamente não é amado
As pessoas que escolho
Os momentos acontecem
Fazer poesia não é dom
É um estado de espírito
Para se conceber uma poesia
Há de se ter dois elementos:
Uma mulher e um momento
Nossos momentos foram só poesias

 
Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Estado de Espírito"

Elegia Sertaneja

Cachaça no peito quema,
amô martela e dói suave.
Só quem já sentiu tal efeito,
cê sabe, o que eu sinto é grave.
Ela é bela e chera a fulô,
eu sou poeta e cantadô.
Do meu coração ela é a chave.

Tem mais de meis que fugiu,
com Zé, fio de Nhô Bento,
um home dono de gado.
Dexô só seu chero ao vento.
Correu, a mulé vã, ispura.
Trair é crime, injura!
Que farta de sentimento.

Mais há de senti sodade,
bem antes de minha morte!
Eu não vô fazê vingança,
eu sô caboco bem forte.
Eu vô insperá vortá,
no dia, eu vô ri e chorá...
Fazê cantoria no norte.

Ah! Vorta doce acalanto...
Vem cá, não isqueço d’ocê.
Meu chero, paz e alegria.
Amô, simbora por quê?
Eu quero rasgá sua seda,
fazê loa e amô na vereda,
ao sol pô, fulô de ipê.

"Acorda João!" "Levanta..."
Meu pai grita! Mãe, só improra...
Meu peito vazio adurmece,
mais fico contano a hora.
Cumeço a chorá, bebê...
Quiçá seja o meu prazê
dispois que bem foi simbora.

Amigo, eu tenho insperança!
É noite, eu vô só sonhá,
fulô do meu bem querê...
Agora a viola a tocá,
canção: luá do sertão...
O mote: elegia, afrição.
Ah, dô de amô de matá!
Renato Luiz de Oliveira Ferreira

Eu Vi

Ontem eu saí, tive medo de ficar na solidão
Confundi o ódio em sentimento de paixão
Eu vi a prostituta rindo, amando de coração
Amando seu homem sem pensar em solidão
Eu vi um homem sem cama fazendo poesia
Vagabundo cantando, e a sua amada dormia
Eu vi estrelas na noite que até então não via
Tudo isso acontecia enquanto você dormia
Eu vi o tempo parar, só para ouvir a poesia
E uma canção de amor que um bêbado fazia
Extasiei-me sem saber se era noite ou dia
Libertei-me para sempre das suas ironias
O tempo que eu estive ao seu lado dormia
Quando eu acordei vi estrelas fazendo folia
Feridas da vida doem, cicatrizam na canção
Marcas que ficam quem apaga é o coração
Sem saber por que, eu ri, senti você chegar
Eu vi, ouvi, chorei, falei de você pra o mar.
 Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Eu Vi"