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quinta-feira, 19 de maio de 2022

O pequeno mensageiro

O povo dizia: “O bichinho fala sozinho...”

Ficava fincado numa grumixameira.

Sabia prosear com cada passarinho.

Um dia sumiu e atiçou muita faladeira.

 

Fartamente procurado na redondeza.

Pior, não acharam rastro, nem cheiro.

Era amigo dos bichos e tinha sageza.

Com o tempo foi visto no despenhadeiro.

 

Rezadeiras suplicavam a não perecer.

Os homens subiram ligeiro a cavalo,

Tinham de chegar antes do escurecer.

Logo viram o pequeno correr num estalo.

 

“Vem cá, moleque!” ― gritou o raivoso.

Assustado correu pra beira do abismo.

Falou outro: “Vai tomar surra, teimoso!”

O menino pulou e voou livre ao lirismo.

 

Ficaram de olhos arregalados de medo.

Das nuvens surgiu um sinal da deidade

E a lua cheia revelou o grande segredo:

Só há sentido viver se houver alteridade.

 

E o anjo fez a emoção jorrar das janelas.

 

                      Renato Luiz de Oliveira Ferreira

 

 

 

 

 

 

 

 

   




 

     

 

 


terça-feira, 11 de maio de 2021

SAGRADO CANTO DA RECONSTRUÇÃO

Não importa se hoje há raios de sol ou se vai chover

Seja manhã, tarde, noite, ou qual bela estação a fruir

Quero um sentido pra vida além do ter e o vão prazer

Melhor ser, transcender, voar livre, reconstruir, devir


Pousar no alto da montanha, ver o novo, o anacoluto

Refletir as questões metafísicas e fugir do vento leste,

Praticar o mais belo verbo ― amar ― com o Absoluto

Sentir a suavidade da brisa oeste; minha alma veste

 

Pulsar o místico sopro do bem e soar a minha canção

Buscar o maitri, karuna, mudita, upeksha e praxidade

Confluir a alma e a tal felicidade, pureza na meditação

Encontrar com o outro, o Outro, através da alteridade

 

Sentir a deidade, o presente da vida, o Self, aqui e lá

Ter fé, entropatia, o dasein, e a intuição do beija-flor

Sublimar o desejo do sagrado canto à humanidade já

Para um mundo pleno de luz, igualdade, paz e amor

 

                                                Renato Luiz de Oliveira Ferreira

 

 

terça-feira, 20 de abril de 2021

FIOS DE ESPERANÇA

A alvorada invade lentamente minha alma

E os raios colorem as flores do meu jardim

O sabiá-laranjeira ecoa sua melodia calma

E o desejo de Gonçalves Dias vive em mim

Brota a bela-manhã lilás, branca e amarela

E a vida tece a esperança de minha janela...

 

Renato Luiz de Oliveira Ferreira

 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Poema-canção


Nasceu no Coreto um poema de libretos

Com concisão, coesão e um lápis na mão

Use a imaginação e o violão com emoção

Pra fazer uma canção ou lindos minuetos

Os acordes juntam-se à melodia, eufonia!

De mãos dadas à poesia, vibram e soam

Agora, vivos na garganta ritmos entoam

E vão direto ao coração com a harmonia

Brasil é cultura, arte, diversidade. Amém!

É mulher formosa, poesia, o forró do abc

Canções de amor à Bahia e ao meu bem   
                 
Canta, Brasil! O amanhecer é uma mercê

Vamos sonhar, sorrir, dançar, correr, voar

De lá do grito do Ipiranga e do meu cantar


Renato Luiz de Oliveira Ferreira

Salvador, primavera de 1988.

terça-feira, 2 de junho de 2015

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pretérito Perfeito

Senti saudade de um tempo que "não vivi"
Fez falta porque foi bom
Foi bom porque valeu a pena
Valeu a pena porque sorri
Sorri porque fui feliz
Fui feliz porque amei
Lá bem longe... onde plantei minha arte
Foi assim... A vida é um vai e vem retado
...Nasce, morre, renasce...
                                                                                      
                                                                               Renato Luiz de Oliveira Ferreira

domingo, 7 de dezembro de 2014

Releitura

O livro relido...
Saudade de um tempo me invade
pra ser revivido.

         (haicai guilhermino)
 Renato Luiz de Oliveira Ferreira



Observação: o haicai é chamado de "guilhermino" em homenagem a Guilherme de Almeida que estabeleceu as regras fundamentais para a composição desse estilo poético.


sábado, 29 de novembro de 2014

Fotografia

A foto é um momento
que para o tempo, que cala...
Chama um sentimento.

      (haicai guilhermino)
Renato Luiz de Oliveira Ferreira

domingo, 23 de novembro de 2014

Desejos Ardentes

A chuva a molhar
o seu corpo junto ao meu,
o amor, nosso olhar...

    (haicai guilhermino)
Renato Luiz de Oliveira Ferreira

Ao meu poeta Manoel de Barros

Partiu o poeta da simplicidade. Voou para novos horizontes porque a vida continua... A matéria vira semente e, a alma (o afluente), transborda no rio principal chamado imortalidade.


 Renato Luiz de Oliveira Ferreira

Dia de Feira

Os lírios brancos, bálsamos ardentes

Calor no peito que aquece o coração

Os saltimbancos, fábulas, serpentes

O olhar suspeito, lento, varre a estação

Seu cheiro, margaridas, grito do cantor

O brilho do Sol na sua pela morena:

Mata as feridas e a fome de um captor

Você, meu girassol-do-campo, obscena

Quero os seus lábios, sussurro, tremor

O meu brunido terno, o cravo, o batom:

Asas dos sábios, magia, luz néon, clamor

Sua voz, gemido rouco, soa em semitom

É dia de feira, do ás, do ponto de encontro

Pinguços, vendedores, amigos, amantes

O orixá, a freira, o choro, o desencontro,

Jogadores, ventríloquos e alto-falantes,

O chá, jabá, água, farinha, feijão e a fé

A rã, a laranja, tem até o som da sanfona

Não quero mágoa, só amor, cama e café

Linda a sua franja... Tchau, até pra semana

                                                          
                                                    Renato Luiz de Oliveira Ferreira  
                                            (Alagoinhas, primavera de 1982)                                                                                                               

domingo, 8 de junho de 2014

Águas Mansas

Vou encontrar um oásis
Neste deserto
Que está o nosso amor
 
Vou procurar águas mansas
Nesta tormenta de dor
 
Quero lhe dar um tempo
E ir à Lua pra ver
Se a Terra é mesmo azul
 
Maré, maremoto,
Maremoto de amor
 
Turbilhões de desejos
Aonde você for eu vou

Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música Águas Mansas

sábado, 15 de março de 2014

Um destino sem graça – poema triste...


(Dedicado a uma linda família)

Era um vez uma linda família [.................................]:
A doença levou o filho [.....................................]...
A tristeza levou o pai [.......................................]!
A dor no coração levou a mãe [.................................]?

Ficou a filha a chorar [.....................................]...
Ficaram os netos sem entender [.............................]?...
Ficaram os amigos a lamentar... [.............................]?!

Rima?! Que nada, pra quê?! [...................................]!
Que destino sem graça. [.....................................]...

Dizer mais o quê? Deus que explique... [...............], amém...

Renato Luiz de Oliveira Ferreira



domingo, 23 de dezembro de 2012

ALEGORIA REBUSCADA

Ao Dicionário Aurélio e a “Joãosinho” Trinta
 

SALVADOR
1988


RESUMO

O objetivo deste trabalho, em homenagem ao Dicionário Aurélio e ao carnavalesco “Joãosinho”1 Trinta, é proporcionar ao ledor, além da reflexão sobre o tema, o enriquecimento do seu vocabulário. Hoje não há mais a necessidade de utilização de escritas com esmero excessivo; a clareza textual é importante para a facilidade da comunicação. Neste caso, a linguagem rebuscada é proposital para que o leitor procure um dicionário e saiba o significado de cada palavra. Sabe-se que poucos têm acesso a um léxico. Para não haver desânimo durante a leitura, nas páginas seguintes à poesia, consta o significado de cada vocábulo na ordem em que estão escritos para uma melhor compreensão dos termos utilizados.

NOTA: este trabalho foi escrito antes da Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa que entrou em vigor em 1º de Janeiro de 2009, portanto, foram utilizadas as Normas Gramaticais da época.
 

O Autor
1 O correto seria escrever Joãozinho em vez de “Joãosinho”. Na língua portuguesa o sufixo diminutivo de João é “zinho”, porém, o carnavalesco escreve com “s” por opção. No caso do texto, foi respeitada a maneira excêntrica da escrita do nome do alegorista citado.

Alegoria Rebuscada

Antojar a aldebarã ao alegorista,
Belvedere bem brilhante surgirá,
Com calicromo, sem caligem e teísta.
Dealbação à diva, um desvario fã será.
Em cada rosto embriagado de beleza,
Fabulosas faíscas irradiarão energia.
Gazéis surgirão dos filóginos, uma proeza.
Homéridas inspirados, honrados e sem elegia,
Invadirão a passarela com iconolatria salutar.
Jactos de esperança e alegria, lado a lado;
Lágrimas combinando à fantasia e ao altar.
Magno e airoso “Joãosinho” Trinta, iluminado,
Nos braços da déia, nos brindará com o néctar:
O carnaval, as crianças, a vida e o Aurélio! É lei.
Porém, não esquecerá a grande diva real provecta.
Quando a pânria luz do alvorecer chegar, eu sei,
Reinarão os heliólatras com o seu ídolo cardeal.
Sobre a casta, um banho luzente do astro rei, meu Senhor!
Toscar o verdear é um toste à vida; é ser simples e leal,
Uma utopia com frase palíndroma: Roma é amor!
Vicejará, pois, na noite e no dia, vida nova: uma alforria!
Xurdir, sonhar, é a nossa obrigação, Mecenas. Duvidas do autor?
Zelar, perdoar, é com o Criador, da mais linda alegoria: a vida. Ria!

SIGNIFICADO DAS PALAVRAS DO TEXTO 

01. Alegoria: exposição de um pensamento sob forma figurada; ficção que representa um objeto para dar idéia de outro; continuação de metáforas que significam uma coisa nas palavras e outra no sentido.
02. Alegorista: pessoa que faz alegorias ou por elas explica escritos de outrem.
03. Rebuscado: apurado com esmero excessivo; requintado.
04. Antojar: pôr diante dos olhos; figurar; representar na imaginação.
05. Aldebarã: estrela de primeira grandeza. Pertence à constelação de touro.
06. Alegorista: que usa de estilo alegórico.
07. Belvedere: pequeno mirante; terraço alto de onde se descortina um vasto panorama.
08. Calicromo: que tem cores belas.
09. Caligem: escuridão.
10. Teísta: pessoa partidária do teísmo.
11. Teísmo: doutrina religiosa que admite a existência de Deus e sua ação providencial no universo.
12. Dealbação: purificação.
13. Diva: mulher formosa.
14. Desvario: ato de loucura, delírio.
15. Gazel: poesia amorosa ou báquica dos persas e dos árabes. Compõe-se de vários dísticos; os versos do primeiro rimam entre si e com o segundo verso de cada um dos outros.
16. Báquica: relativo ao deus do vinho (Baco) ou ao vinho; orgíaco.
17. Dístico: grupo de dois versos.
18. Filógino: apaixonado por mulheres.
19. Proeza: ação de valor, façanha, escândalo.
20. Homérida: rapsodo (cantor popular de rapsódias) que cantava os poemas de Homero; imitador de Homero, o maior dos poetas gregos.
21. Rapsódia: fragmentos de cantos épicos, entre os gregos, cada um dos livros de Homero; trecho de uma composição poética; composição musical formada de diversos cantos tradicionais ou populares de um país.
22. Elegia: poesia consagrada à tristeza.
23. Iconolatria: adoração das imagens.
24. Salutar: bom para a saúde, fortificante, moralizador.
25. Jacto: impulso.
26. Magno: grande, importante.
27. Airoso: belo.
28. “Joãosinho” Trinta: carnavalesco e alegorista. 
29. Déia: deusa.
30. Néctar: bebida dos deuses; bebida deliciosa; secreção adocicada; principal substância com que as abelhas produzem o seu mel.
31. Aurélio: o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
32. Provecto: muito sabedor, que tem progredido.
33. Pânria: preguiçosa.
34. Alvorecer: amanhecer.
35. Heliólatra: adorador do sol.
36. Cardeal: principal, fundamental.
37. Casta: raça, geração, natureza.
38. Luzente: luminoso.
39. Toscar: avistar, ver, entender.
40. Verdear: os campos verdes depois das secas.
41. Toste: saudação ou brinde, num banquete.
42. Leal: sincero, franco e honesto.
43. Utopia: fantasia.
44. Palíndromo: diz-se de, ou frase que tem o mesmo sentido quer se leia da esquerda para a direita, quer da direita para a esquerda. Ex: Amor é Roma.
45. Vicejará: brotará exuberantemente.
46. Alforria: libertação.
47. Xurdir: lutar pela vida.
48. Mecenas: protetor das letras e dos sábios. 

Renato Luiz de Oliveira Ferreira

REFERÊNCIA:

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda – Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 11ºEdição, Gamma, 1985.

Trabalho e Liberdade

O raiar da liberdade num horizonte incerto
O suor do meu rosto são sementes de esperança
Das meninas de tranças, das morenas que dançam
Das fábricas que não lançam o perigo no ar
O sonho de não ver o velho e a criança
Tendo que trabalhar
Viva a mulher que batalha!
O sorriso, a luz, o brilho dos seus olhos
Que um pouco traduz o mistério do mar.
Viva o homem que batalha! Que grita o gol. Gol!
Que chora de amor, e que canta o país.
O povo precisa de trabalho, também precisa cantar
O meu futuro é o presente e o meu verbo é lutar
Morar, rezar, sonhar, dançar, voar! 
Viver um grande amor
O Homem não pode parar porque o tempo vai passar

Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Trabalho e Liberdade".

Por Você

Já fiz canções de amor
Tendo você, amei todas as mulheres
Deitei-me nas estrelas e beijei a lua
Nas minhas canções você era a favorita
Fiz guerrilhas, domei leões
Por você matei dragões
Você fez parte dos sonhos,
Ou será que eram alucinações
Venerava-lhe a uma rainha!
Por você eu construiria:
"Palácios" como o Taj Mahal
Atravessava a pé,
As montanhas que separam
A China do Nepal
Só desilusão restou
Onde está aquele amor
Que você me jurou,
Acabou? Será que acabou?!
Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Por Você"

Ponto de Equilíbrio

O ciclo do equilíbrio
As ondas do mar
Ponto yang yin
Trago a minha música
Para harmonizar

Já tomei de assalto
O seu coração
Mesmo que você
Relute e diga não

Nunca andei de carro importado
Nem de moto ou avião
Quando tenho dinheiro como bem
Se não tenho, como ilusão

Já li Nietzsche, Leibniz e Cervantes
Mas que bobagem
Se eu não posso ser
Seu cavaleiro errante

Como eu acredito
No ciclo do universo
Você um dia há de perceber
Que eu sempre estive aí tão perto
 Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Ponto de Equilíbrio"

Estado de Espírito

Todo poeta é louco
Alucinado ama intensamente
Intensamente não é amado
As pessoas que escolho
Os momentos acontecem
Fazer poesia não é dom
É um estado de espírito
Para se conceber uma poesia
Há de se ter dois elementos:
Uma mulher e um momento
Nossos momentos foram só poesias

 
Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Estado de Espírito"

Elegia Sertaneja

Cachaça no peito quema,
amô martela e dói suave.
Só quem já sentiu tal efeito,
cê sabe, o que eu sinto é grave.
Ela é bela e chera a fulô,
eu sou poeta e cantadô.
Do meu coração ela é a chave.

Tem mais de meis que fugiu,
com Zé, fio de Nhô Bento,
um home dono de gado.
Dexô só seu chero ao vento.
Correu, a mulé vã, ispura.
Trair é crime, injura!
Que farta de sentimento.

Mais há de senti sodade,
bem antes de minha morte!
Eu não vô fazê vingança,
eu sô caboco bem forte.
Eu vô insperá vortá,
no dia, eu vô ri e chorá...
Fazê cantoria no norte.

Ah! Vorta doce acalanto...
Vem cá, não isqueço d’ocê.
Meu chero, paz e alegria.
Amô, simbora por quê?
Eu quero rasgá sua seda,
fazê loa e amô na vereda,
ao sol pô, fulô de ipê.

"Acorda João!" "Levanta..."
Meu pai grita! Mãe, só improra...
Meu peito vazio adurmece,
mais fico contano a hora.
Cumeço a chorá, bebê...
Quiçá seja o meu prazê
dispois que bem foi simbora.

Amigo, eu tenho insperança!
É noite, eu vô só sonhá,
fulô do meu bem querê...
Agora a viola a tocá,
canção: luá do sertão...
O mote: elegia, afrição.
Ah, dô de amô de matá!
Renato Luiz de Oliveira Ferreira

Eu Vi

Ontem eu saí, tive medo de ficar na solidão
Confundi o ódio em sentimento de paixão
Eu vi a prostituta rindo, amando de coração
Amando seu homem sem pensar em solidão
Eu vi um homem sem cama fazendo poesia
Vagabundo cantando, e a sua amada dormia
Eu vi estrelas na noite que até então não via
Tudo isso acontecia enquanto você dormia
Eu vi o tempo parar, só para ouvir a poesia
E uma canção de amor que um bêbado fazia
Extasiei-me sem saber se era noite ou dia
Libertei-me para sempre das suas ironias
O tempo que eu estive ao seu lado dormia
Quando eu acordei vi estrelas fazendo folia
Feridas da vida doem, cicatrizam na canção
Marcas que ficam quem apaga é o coração
Sem saber por que, eu ri, senti você chegar
Eu vi, ouvi, chorei, falei de você pra o mar.
 Renato Luiz & Dedé Soares
Letra da música "Eu Vi"